segunda-feira, 30 de abril de 2012

Carnaval - A chegada

Sei que o Carnaval já se foi há muito tempo; mas havia escrito as memórias da viagem e em função de pedidos vou dividí-la com vocês…. Um dia por vez, hein? Lá vai.


A CHEGADA - domingo

São Paulo, 19 de fevereiro. Resolvemos fechar um pacote de uma semana pro carnaval. Com isto, ao contrário de toda a cidade iríamos viajar apenas no domingo. Isto me deu a possibilidade de ir pela segunda vez a um bloquinho de carnaval de rua em São Paulo. Prudentemente, sabendo que iria viajar no dia seguinte e que teria que sair de casa às cinco da manhã, deveria ter ficado em casa quieta no sábado. Mas era carnaval e o bloco era na porta da minha casa; literalmente! Pensei que conseguiria me recuperar no dia seguinte durante à viagem; e com isto me joguei no bloco! Ê maravilha! Há quanto tempo não escutava Bandeira Branca…



Mas não há como escapar das consequências da decisão. Quando saí de casa às cinco ainda tinha bloco na rua. Foi meio surreal; mas parti sem olhar pra trás!

Na correria de fechar a viagem não consegui o mesmo voo que minhas amigas, então só as encontraria em Ilhéus. Também não consegui um voo direto, então após uma enorme peregrinação as encontrei às 15hs me aguardando para enfrentarmos a segunda parte da viagem de mais duas horas de estrada de terra, cheia de buracos, até Barra Grande. O que eram duas horas viraram fácil três em função da estrada.

Camilinha tem fobia de avião e os casos dela valem um capítulo à parte na história. É de rolar de rir! A vez em que ela começou a gritar, no meio do voo, que todo mundo ia morrer e teve que ser sedada pela comissária de bordo é ótima, se não fosse trágica! Mas quando ela descreve a porta do avião se abrindo e a equipe de terra aguardando por ela com uma cadeira de rodas (aguardando a pessoa que tem necessidades especiais) e tirando ela do avião antes de todo mundo é de chorar! Deixa todo mundo com vontade de passar por uma experiência dessas com ela pelo menos uma vez na vida. Bom, isto tudo pra dizer que obviamente quando pegamos o transfer ela ainda estava sob efeito do Rivotril e foi babando até Barra Grande. Acordava de tempos em tempos só para pescar partes das histórias o que depois geraria uma versão só dela do que foi dito; como se fosse uma colcha de retalhos.

A Carina sentou no banco da frente preocupada em ter que render conversa com o motorista durante o trajeto. Pois ela mal sabia que era só dar um tópico que ele desenvolvia pela próxima meia hora fácil. Um clichê. Um carioca que conheceu uma baiana e abriu uma pousada.

No intuito de nos tranquilizar sobre a extrema segurança da cidade e como poderíamos andar tranquilas; ele nos conta um caso de um assaltante que passou por essas bandas e foi assassinado pelo grupo local. Dando a entender, óbvio, que ele estava neste bando de justiceiros. Depois disso e milhares de casos sobre como ele era poderoso e mandava em toda a cidade, começamos a suspeitar o quanto do que ele dizia era realmente verdade. Priscila, muito esperta, a esta altura já o ignorava bravamente olhando a paisagem lá fora. Camila continuava sob o efeito do Rivotril e eu e Carina ainda tentando fazer o social. Foi então que começaram as histórias sobre as diversas formas que ele já tinha expulsado os hóspedes da pousada. Aparentemente sempre por culpa dos hóspedes; mas chegamos à Barra Grande com duas certezas: Uma – passar o mínimo de tempo possível na pousada. Duas – Arrumar outro transfer pra volta.

Na correria de bloquinho, acordar de madrugada, pegar avião, fazer escala; meu estômago já avisava em alto e bom som que à aquela altura, às sete da noite, eu precisava almoçar. Deixamos a bagagem na pousada e fomos direto pra vila. A primeira impressão não poderia ter sido melhor. Lojinhas pitorescas, restaurantes charmosos, piso batido de terra e muita gente desencanada. Paramos em um restaurante que se chama Macunaíma. Fica bem de frente pra praia com vista para o píer. Os assentos são grandes almofadões de chita no chão com mesas bem baixas, como se fossem tatames. A iluminação é toda feita com velas deixando um ambiente totalmente intimista. Da forma como chegamos acabadas depois de tanto sacolejo, nada melhor do que nos jogarmos pra começar nossas férias.

Prato principal: Mariscada e Risoto de frutos do mar
Bebidas: Caipirinha de maracujá e manga e cerveja.



A Caipirinha foi sugestão da Camilinha, que tomou pra ela a autoria da receita. Queira isto fosse verdade ou não, a combinação virou a vedete da viagem e nos acompanhou até o fim.

Não sei se a fome era grande; ou foi isto somado à paisagem linda, com o delicioso barulho do mar, o ambiente aconchegante, companhia insubstituível e nada, absolutamente nada de preocupações corriqueiras de São Paulo, foi a melhor refeição que fizemos na cidade.

De volta à pousada, começamos a constatar o inevitável; a conexão 3G e wi-fi seria um luxo que não encontraríamos com frequência. Um desafio para nós quatro que temos o Iphone como uma extensão do corpo  e onde a falta de conexão chega a gerar crises de ansiedade.

O quarto tinha duas camas embaixo e um mezanino com mais duas em cima. O detalhe era que pra chegar até lá tínhamos que enfrentar uma escada que de tão inclinada mais parecia uma escada marinheiro. Nos entreolhamos e pensamos como isto iria funcionar no dia que abusássemos da bebida. Não ia. Decidido. Se alguém exagerasse ia ficar no andar de baixo. Eu e Priscila fomos as corajosas a enfrentar a escadinha e depois de ignorarmos as baratinhas conseguimos todas cair no sono justo dos viajantes.

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